Lei (uma releitura de) Judas 03


 

Não aqui...não estrei sozinho. Ela não me entende. Que estás a fazer? Isto é um bordel. Nem penses fazer nada. Sai daqui. Sai. Quero estar sozinho. Estás só, Barrabás. Sozinho. Sozinho. Leva a oradora, sempre gostaste dela. Não. Quero uma desconhecida. Qual desconhecida? Uma que tenha medo de mim. Medo de ti? Qualquer uma que saiba que és...tenha medo de mim? Aquela, ela treme sempre que olha para ti. Aquela voz, sussurrando... ela sabe...quero uma desconhecida. Como um vento soprando a verdade. Às vezes, a lei defende a pilhagem e participa dela. Às vezes, a lei coloca todo o aparato de juízes, polícia, prisões e gendarmes a serviço dos saqueadores, e trata a vítima - quando ela se defende - como um criminoso. Estás sendo generoso, Pilatos. César não irá te repreender por seres muito rigoroso! Mas se blasfêmia não é crime, que tal traição? Testemunhas juram que ele se opõe ao pagamento de tributos à César. Não estais me respondendo. Ou acaso não ouve do que o povo o acusa? O que foi, Pilatos? Vá e sentencie-o. Este homem disse ser o rei dos judeus. Sabeis bem que não há um rei além de César. És o rei dos judeus? Estás dizendo isso por ti mesmo, ou outros te disseram isso? Sim, este é o fim do caminho.  

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